Preparação, conheça a história dessa arte - Parte 1 | AvantGarde

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Preparação, conheça a história dessa arte – Parte 1

No início da indústria automotiva os carros eram artigos de luxo e feitos, sob medida, para seus donos. Após o início da produção em série, gerou-se uma mesmice. Assim renasceu a gana pelas máquinas personalizadas. Mas, afinal de contas, você sabe o que é a Preparação?

Qual a origem da Preparação?

Preparação, personalização, tuning? Vários nomes descrevem as modificações que os donos fazem nos automóveis. No início do século XX os carros eram feitos sob medida. Um artigo de luxo, onde se comprava o chassi e o motor, depois contratavam-se as fábricas de carrocerias como se fosse ao alfaiate fazer um bom terno, ou vestido. A competição, no entanto, sempre esteve nas veias da humanidade e haviam os “apressados” que buscavam carros mais potentes. Os pilotos modificavam e aumentavam a potência dos motores, nascia a nova diversão: corridas de carros. O advento da produção em série acabou gerando uma mesmice de carros iguais para “quase” todos. Após a segunda Guerra, os soldados americanos que receberam treinamento mecânico no front criaram uma nova mania. Pegando calhambeques que iriam para o ferro velho, os jovens colocavam motores modernos e melhorados. Nasciam os Hot-Rods. Esses carros recebiam motores V8 modificados para altas potências e disputavam corridas ilegais nos lagos secos dos Estados Unidos.

No pós guerra, os ex-soldados faziam a preparação dos velhos calhambeques para correr no deserto.

Os tipos de preparação

Existem várias formas de extrair mais potência e desempenho dos carros. Vamos começar com os métodos mais básicos e “raiz”, utilizados desde o início das preparações. Para começar a pensar na Preparação de motores é essencial entender melhor como os motores funcionam. O princípio químico da combustão nos diz que, para a reação ocorrer, precisamos de um combustível, um comburente (no caso oxigênio) e uma faísca (advinda das velas). Essa combinação gera uma explosão (lembra do nome? motores a explosão), que produz o movimento dos pistões. Quanto maior a quantidade de moléculas de combustível reagidas com moléculas de oxigênio, melhor a queima e maior a força que empurra os cilindros. O combustível é líquido, portanto mais compacto que o ar, que possui vários outros elementos além do oxigênio, visto isso, se aumentarmos a quantidade de ar, mais combustível sofre a reação.

Para entender de preparação, temos que saber como os motores funcionam. A maior parte dos motores segue o “ciclo Otto”. Representado na imagem.

E como conseguir mais ar? Vamos às formas de preparação básica:

Preparação Aspirada:

No funcionamento básico do motor, durante a admissão o pistão desce aspirando a mistura ar + combustível. Daí vem o nome alimentação “aspirada”, pois aspira naturalmente o ar para dentro dos cilindros. Nesse tipo de preparação, pode-se aumentar os canais de entrada, colocando filtros de ar que dão maior passagem, os famosos filtros esportivos, ou simplesmente tira essa peça. Pode-se reduzir o atrito dos coletores de admissão, diminuindo a turbulência e resistência do ar. Tomadas de ar que forçam inercialmente o ar para dentro do motor enquanto o carro está em movimento também podem ser utilizadas. O famoso “comando bravo”, que aumenta o tempo de abertura das válvulas de admissão, aumentando a quantidade de ar aspirado. Lembrando sempre que o aumento de potência também leva a uma maior velocidade do motor e a um desgaste maior, isso requer componentes mais reforçados. Mais para frente falaremos das peças forjadas.

Uma preparação aspirada no motor 6 cilindros do saudoso Opala, tudo é válido para dar mais potência ao motor.

Sobre alimentação, turbo e compressor mecânico

“Dar uma turbinada”, essa expressão comum se refere ao tipo mais comum de preparação. A sobrealimentação tem por objetivo forçar mecanicamente a maior quantidade possível de ar dentro dos cilindros. Para isso há duas formas: A turbina acionada pelos gases de exaustão, o famoso TURBO e os compressores mecânicos acionados via correia ligada aos eixos do motor.

TURBO

A preparação turbinada é uma das mais comumente usadas no Brasil pela sua facilidade de instalação. O turbo é composto por duas turbinas, uma que aspira o ar externo num tubo em formato de caracol e o comprime para dentro do coletor de admissão. Com isso, se comprime uma maior quantidade de oxigênio dentro das câmaras de combustão. A segunda, ligada por um eixo isolado à primeira, aproveita a para gerar força motriz com a inércia dos gases de exaustão. Quando bem instaladas, as turbinas podem multiplicar a potência do motor. Uma das desvantagens do turbo era a baixa eficiência em baixas rotações, por depender dos gases de escape. Um equipamento que atualmente é usado inclusive na Fórmula 1 e cada vez mais presente nos carros de rua.

A turbina é uma das formas de preparação mais comuns pela sua simplicidade.

Compressores mecânicos ou Blowers

Como o nome diz, “Blower”, significa “soprador”, também conhecido como Supercharger ou Kompressor (da Mercedes-Benz). Nada mais é que um compressor que empurra mais ar para dentro dos cilindros. Muito utilizados nos dragsters e queridinho dos preparadores norte-americanos. Os blowers muitas vezes possuem os famigerados “Scoops” que ficam na parte de fora do capô. São basicamente as entradas de ar, com borboletas similares às do carburador. Presentes nos carros de filmes como Velozes e Furiosos e Mad Max, o blower é um mito.

O famigerado blower, presente na preparação típica dos norte-americanos. Dá para perceber a correia ligada ao compressor, que aspira o ar pelo scoop e comprime dentro do motor.

O Scoop

Se desejar, o preparador pode instalar o scoop no capô ou uma tomada de ar interna com filtro, no caso de uma preparação esteticamente discreta. Nos carros de rua, que não precisam de potência o tempo todo, é instalada uma polia eletromagnética, similar à usada nos compressores de ar condicionado, com ela o motorista informa a hora que quer potência. A grande vantagem do Blower em relação ao Turbo é que o motor é que ele funciona desde as mais baixas rotações. Se analisarmos o princípio básico do blower, ele funciona reciclando a própria força que o motor gera. Assim, conseguindo fazer os rotores girarem sem muito esforço. O que acontece é que a correia dentada é diretamente ligada à polia do blower. Ou seja, com a correia dentada em rotação o blower já está funcionando.  Quanto mais alto o giro do motor estiver, mais rotações os rotores do blower terá. Sua desvantagem é que existe um limite de eficiência, fazendo a curva de potência que alcança seu topo em determinada rotação do motor.

Por dentro do Blower e seu coração de preparação, os rotores em parafuso sugam o ar externo e inflam o interior dos cilindros.

O intercooler

Uma peça importante para supercharger e turbocharger é o intercooler. Uma preparação bem feita deve levar em conta que o ar passado pelos compressores se aquece. Quanto mais quente o ar, mais expandido ele está, assim cabe menos dentro do cilindro. O intercooler funciona como um radiador, ele resfria o ar antes de entrar nos cilindros, tornando-o mais compacto.

O intercooler é basicamente um radiador de ar. Ele resfria o ar advindo do turbo ou blower para que caiba mais dentro dos cilindros.

Veja mais na parte 2.